Os tecnobilionários, a ameaça da IA e a resistência

 

 

Martin Hart-Landsberg (*)

 

 

Os bilionários da tecnologia de Silicon Valley nutrem ideias fantasiosas. Por exemplo, muitos acreditam que a Inteligência Artificial Geral (IAG) será concretizada num futuro muito próximo e que a sua conquista inaugurará uma era de abundância, com triliões de seres sencientes a povoar os céus em paz.

 

No entanto, por detrás destas ideias, existe uma agenda política séria e destrutiva. Utilizando a sua vasta riqueza, controlo sobre tecnologias cruciais e forte representação no governo, estes multimilionários garantiram a expansão da produção de combustíveis fósseis, cortes de impostos sobre as empresas, subsídios para fabricantes de chips e centros de dados, políticas comerciais favoráveis, um forte aparelho militar e de segurança nacional impulsionado pela Inteligência Artificial (IA) e o desmantelamento de programas destinados a combater as alterações climáticas, a discriminação e a desigualdade.

 

O seu sucesso deve-se, em grande parte, ao facto de o Presidente Donald Trump partilhar amplamente esta agenda. Como descreve o sítio de notícias Axios, “Trump envolve-se em inúmeras questões políticas e diplomáticas. Mas nenhuma se compara à sua constante e crescente aliança com os bilionários da tecnologia e as empresas de IA que estão a remodelar a economia dos E.U.A.” (1). Não admira que os trabalhadores estejam a enfrentar condições de trabalho e de vida cada vez piores.

 

Estamos perante um poderoso grupo de oligarcas da tecnologia que estão dispostos a destruir as nossas vidas em busca de lucros exorbitantes e de um futuro fantasioso. Precisamos de nos organizar de acordo com isso. Felizmente, há fortes indícios de que o próprio movimento do capitalismo está a criar um terreno fértil para os nossos esforços.

 

Os bilionários e as suas redes

 

No coração da comunidade de multimilionários da tecnologia de Silicon Valley está a chamada máfia do PayPal, um grupo informal de pessoas que foram fundadores ou executivos desta empresa. Os mais importantes são Peter Thiel, Elon Musk e David Sacks. Os três passaram parte da infância na África do Sul e mantêm uma relação de proximidade desde a altura em que trabalharam na PayPal.

 

Em 2003, Thiel fundou a Palantir Technologies e continua a desempenhar as funções de presidente do conselho de administração. Dois anos depois, Thiel cofundou um fundo de capital de risco, o Founders Fund, que investiu em empresas como a Anduril, Facebook, Neuralink, Palantir Technologies, SpaceX e xAI.

 

Elon Musk fundou a Boring Company, a Neuralink, a SpaceX e a xAI. Foi também cofundador da OpenAI. David Sacks cofundou o serviço de rede empresarial Yammer (que vendeu à Microsoft) e, em 2007, o fundo de capital de risco Craft Ventures. A Craft Ventures investiu em empresas como o Facebook, Palantir Technologies, SpaceX e xAI.

 

Há também poderosos bilionários de Silicon Valley que não fazem parte da máfia do PayPal. Marc Andreessen cofundou a Netscape antes de criar a sua própria empresa de capital de risco. Em 2009, ele e Ben Horowitz uniram os seus fundos para criar a Andreessen Horowitz, hoje o maior fundo de capital de risco dos Estados Unidos da América. O seu portefólio inclui investimentos na Anduril, Facebook, SpaceX e xAI.

 

Palmer Luckey, criador do headset de realidade virtual Oculus Rift, cofundou a Anduril em 2017, com capital inicial do Founders Fund. Outros membros proeminentes da comunidade incluem Sam Altman, CEO da OpenAI; Dario Amodei, CEO da Anthropic; Jeff Bezos, fundador e presidente executivo da Amazon; e Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook e da sua empresa-mãe, a Meta.

 

Visões do futuro

 

Nas últimas quatro décadas, Silicon Valley deu origem a uma série de ideologias sobrepostas que atraíram uma considerável atenção na comunidade tecnológica (2). Todas elas abraçam o transhumanismo, um amplo movimento filosófico com raízes no movimento eugenista do século XX. O transumanismo afirma que os humanos podem transcender as limitações biológicas existentes com o auxílio da tecnologia para alcançar uma longevidade indefinida e um aumento das capacidades cognitivas. As mais influentes são o Singularitarismo, o Altruísmo Eficaz e o Aceleracionismo Eficaz.

 

O singularitarismo, que se popularizou no início dos anos 2000, defende que a criação da Inteligência Artificial Geral (IAG) está próxima e que a sua conquista levará a uma "singularidade tecnológica", com a IAG a gerar avanços tecnológicos tão rápidos e sem precedentes que haverá uma rutura fundamental na história da humanidade. Os defensores acreditam que os humanos acabarão por fazer uma transferência (“upload”) da sua consciência para os robôs, criando super-seres capazes de autoaperfeiçoamento que, em grande número, se estabelecerão por todo o universo.

 

O Altruísmo Efetivo partilha um ponto de partida semelhante, mas os seus adeptos temem que, se a IAG não estiver alinhada com valores apropriados, possa acabar por aniquilar ou escravizar a humanidade. Por conseguinte, dão prioridade ao desenvolvimento de medidas de segurança para a IA e à garantia de que os Estados Unidos da América, e não a China, serão os primeiros a alcançá-la.

 

O Aceleracionismo Efetivo é a mais recente adição ao pensamento transumanista. Os seus defensores acreditam que a procura da IAG não deve ser travada por preocupações com os problemas sociais e ecológicos existentes. Convencidos de que o número de futuros seres sencientes excederá em muito o número de seres atualmente vivos, procuram o seu desenvolvimento o mais rapidamente possível para minimizar o sofrimento ou a morte desnecessários de um número incontável de seres futuros.

 

Eles falam confiadamente (“talk the talk”)

 

Estas ideologias poderiam ser facilmente descartadas como pouco mais do que material para filósofos e escritores de ficção científica, não fosse o facto de os bilionários da tecnologia acima mencionados terem abraçado muitas das suas crenças. Zuckerberg afirmou que “a superinteligência está agora à vista” e, com ela, “a criação e a descoberta de novas coisas que são inimagináveis hoje”. Amodei acredita que em breve atingiremos a “velocidade de escape” da própria morte (3). Altman afirma que a Inteligência Artificial Geral (IAG) será concretizada até 2030, permitindo-nos resolver facilmente a miríade de problemas que enfrentamos aqui na Terra e colonizar o espaço (4).

 

Bezos prevê que, dentro de algumas décadas, as pessoas estarão a viver em milhões de estações espaciais gigantes, cada uma albergando até um milhão de pessoas (5). A sua empresa, a Blue Origin, está a trabalhar na tecnologia de foguetões necessária para nos levar à Lua, que acredita poder servir de base para a colonização do sistema solar, e na tecnologia de centros de dados orbitais para alimentar as estações espaciais necessárias para isso.

 

Musk também acredita que estamos perto da IAG. A sua empresa, a Neuralink, está empenhada no desenvolvimento de interfaces cérebro-computador implantáveis para permitir que os humanos “alcancem uma simbiose com a inteligência artificial” (6). Musk planeou durante muito tempo utilizar a SpaceX para chegar a Marte e colonizar o planeta. Mas, em fevereiro de 2026, decidiu dar prioridade a chegar à Lua antes de Bezos e construir aí uma colónia “autossustentável” na próxima década.

 

Andreessen, a força motriz por detrás do Aceleracionismo Efetivo, fala da IAG como uma “solucionadora universal de problemas”. O seu “Manifesto Tecno-Otimista” de 2023 destaca as ideias e políticas que precisam de ser ultrapassadas para o alcançar: “A nossa sociedade atual tem sido submetida a uma campanha de desmoralização em massa durante seis décadas — contra a tecnologia e contra a vida — sob vários nomes como ‘risco existencial’, ‘sustentabilidade’, ‘ESG’ [Ambiental, Social e de Governação], ‘Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’, ‘responsabilidade social’, ‘capitalismo dos stakeholders’, ‘Princípio da Precaução’, ‘confiança e segurança’, ‘ética tecnológica’, ‘gestão do risco’, ‘decrescimento’, ‘os limites do crescimento’” (7).

 

Luckey também acredita na IAG. Como a sua maior preocupação é que a China a alcance primeiro, apoia tanto a investigação em IA como um forte poderio militar (8). A sua empresa, a Anduril, está envolvida no desenvolvimento de sistemas de armas autónomas movidas a IA.

 

Thiel acredita que a tecnologia é o principal motor da mudança social e que existem poderosas forças demoníacas a atuar para suprimir o seu potencial libertador. Em 2025, proferiu uma série de palestras privadas em São Francisco, onde descreveu a batalha que se avizinhava contra estas forças como o Armagedão profetizado, quando os exércitos de Deus destruirão os exércitos do Anticristo (9). Em algumas ocasiões, rotulou os Altruístas Efetivos como o Anticristo.

 

Embora seja difícil saber se estes oligarcas da tecnologia acreditam no que dizem, há boas razões para descartar as suas visões de um futuro impulsionado pela IAG (10). Mesmo os sistemas de IA mais poderosos existentes parecem ser becos sem saída tecnológicos (11). Como observa o escritor Cory Doctorow, a ideia de que “adicionar poder computacional e dados ao programa de previsão da próxima palavra acabará por criar um ser consciente, que inevitavelmente se tornará um super-ser… é uma proposição semelhante à ideia de que, se continuarmos a criar cavalos cada vez mais rápidos, obteremos uma locomotiva” (12).

 

Indo ao que interessa (getting down to business)

 

É fácil imaginar porque é que estes multimilionários se sentem atraídos pelo transumanismo: celebra o indivíduo superior e a tecnologia. É claro que o seu interesse pelos contos de fadas sobre a Inteligência Artificial Geral diminuiria rapidamente se não estivessem a usufruir de recompensas substanciais no presente com o desenvolvimento da IA para fins comerciais e em apoio de um aparelho de segurança nacional alargado. E, como bem sabem, os enormes custos do investimento em IA significam que o sucesso contínuo exige a garantia de um apoio estatal significativo e constante.

 

A sua capacidade de obter o apoio da administração Trump deve-se em grande parte a ligações pessoais. Thiel foi mentor do vice-presidente J. D. Vance, ajudando-o a iniciar a sua carreira no ramo do capital de risco. Vance contou também com o apoio substancial de Thiel e Andreessen quando lançou a sua própria empresa de capital de risco em 2019. Thiel foi também um dos principais financiadores da campanha de Vance para o Senado em 2022, doando a quantia recorde de 15 milhões de dólares.

 

David Sacks também apoiou financeiramente a campanha de Vance para o Senado e, posteriormente, apoiou a campanha de reeleição de Trump, organizando vários grandes eventos de angariação de fundos em sua casa. A recompensa de Sacks foi a nomeação como czar da IA e Criptomoedas da Casa Branca, cargo que tem utilizado com grande eficácia (13).

 

As políticas de IA de Trump têm sido extremamente favoráveis à indústria tecnológica. Revogou as regulamentações ambientais e ofereceu subsídios significativos para impulsionar a produção de combustíveis fósseis. Assinou uma ordem executiva que exige que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) acelere os projetos de centros de dados em terras federais e não federais. Isentou de tarifas servidores, semicondutores, placas de circuito impresso e muitos outros componentes eletrónicos utilizados pelos centros de dados. Ordenou que várias agências federais criassem uma plataforma digital para disponibilizar os dados recolhidos pelo governo federal para as empresas tecnológicas utilizarem nos seus projetos de IA. E continua a pressionar para tornar ilegal que os estados desenvolvam as suas próprias regulamentações sobre o uso de IA.

 

Outras nomeações importantes, mas menos visíveis, também contribuíram para o avanço da agenda de IA da indústria tecnológica. O antigo chefe de gabinete de Thiel, Michael Kratsios, foi escolhido para dirigir o Gabinete de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca. Gregory Barbaccia, que ocupou vários cargos de liderança na Palantir, foi escolhido para ser o Diretor Federal de Informação (CIO), responsável por supervisionar a implementação de tecnologia segura e de alto desempenho em todo o governo federal.

 

Os líderes da indústria tecnológica também ocupam posições críticas nas Forças Armadas. Por exemplo, Michael Obadal, ex-executivo da Anduril, desempenha as funções de Subsecretário do Exército, apesar de ainda possuir cerca de 1 milhão de dólares em ações da Anduril. Estas ligações ajudaram tanto a Palantir como a Anduril a tornarem-se parte integrante das políticas de defesa e segurança nacional.

 

Em julho de 2025, a Palantir assinou um contrato de 10 mil milhões de dólares com o Departamento de Defesa. O contrato consolidou cerca de 75 acordos de aquisição diferentes e representa, nas palavras da investigadora Francesca Bria, “uma transferência estratégica de funções militares essenciais para uma empresa privada” (14). A Anduril, por sua vez, está a impulsionar a busca das Forças Armadas por capacidades de guerra autónoma. Como explica Bria: “A sua plataforma Lattice liga feeds de satélite, dados de radar e imagens do campo de batalha numa única rede operacional, permitindo que as missões militares sejam planeadas e executadas com extrema rapidez.”

 

Além disso, estas empresas, juntamente com os principais desenvolvedores de IA, como a OpenAI, a Google e a Microsoft, deverão desempenhar um papel alargado. O Secretário da Defesa, Pete Hegseth, defendeu a transferência de 8% do orçamento militar, todos os anos, durante os próximos cinco anos, das empresas de defesa tradicionais para as empresas de tecnologia de IA (15).

 

A aliança entre os multimilionários da tecnologia e Trump está longe de ser unilateral. O pensamento transumanista encaixa bem no próprio programa político de Trump, e os líderes do sector tecnológico têm apoiado entusiasticamente a sua política externa agressiva, os seus esforços para impulsionar o poder e os lucros das empresas e o desmantelamento da maioria das agências reguladoras e dos programas sociais. Uma das formas é usando o seu controlo sobre veículos de comunicação social como o X (antigo Twitter), Fox News, Washington Post, CBS News e CNN para amplificar as explicações racistas, xenófobas, anti-imigrantes e misóginas de Trump para o declínio das condições de vida e de trabalho da maioria da população.

 

A economia da IA: do auge à crise

 

Os oligarcas da tecnologia gozam de uma influência política incomparável por uma razão principal. Os líderes políticos e empresariais reconhecem a centralidade da IA e, por extensão, dos investimentos no setor tecnológico, para a rentabilidade e as perspetivas de crescimento da economia dos E.U.A..

 

Os gastos em infraestruturas de IA — centros de dados e os seus equipamentos e software associados — tornaram-se o principal motor do crescimento económico dos E.U.A.. Os investimentos anuais em inteligência artificial das maiores empresas tecnológicas (Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft) aumentaram de 150 mil milhões de dólares em 2022 para 360 mil milhões de dólares em 2025, prevendo-se que atinjam um valor substancialmente superior, de 650 mil milhões de dólares, em 2026. A Bloomberg contextualiza este total referindo que: “Os maiores fabricantes de automóveis, fabricantes de equipamentos de construção, ferrovias, empreiteiros de defesa, operadores de móvel, as empresas de entrega de encomendas, juntamente com a Exxon Mobil Corp., a Intel Corp., a Walmart Inc. e as empresas derivadas da General Electric — 21 empresas — deverão investir um total de 180 mil milhões de dólares em 2026” (16).

 

E estas quatro empresas tecnológicas não são as únicas a investir em centros de dados. Por exemplo, a Oracle também se tornou um grande fornecedor de serviços na nuvem. Em 2025, assinou um contrato com a OpenAI para fornecer 300 mil milhões de dólares em serviços de computação ao longo de cinco anos.

 

A economia também beneficiou de um impulso na valorização do mercado de ações impulsionado pela IA. O lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 desencadeou um crescimento explosivo no valor das ações relacionadas com a IA, com o mercado a atingir a sua segunda maior valorização da história em 2025. Os norte-americanos mais ricos beneficiaram desproporcionalmente deste ganho, e o consequente aumento das suas despesas de consumo também contribuiu significativamente para o crescimento económico dos E.U.A..

 

No entanto, embora os líderes tecnológicos e os grandes fundos de investimento continuem a falar com confiança sobre um futuro impulsionado pela IA, há boas razões para acreditar que estamos perto do pico da expansão da IA e da sua capacidade de sustentar um sistema fragilizado. O mais importante: nenhum dos principais modelos de IA se revelou rentável (17).

 

Isto pode parecer contraintuitivo, dada a perceção do uso da IA em todo o lado, mas isto deve-se ao facto de não existir uma definição consensual de IA, permitindo às empresas aplicar o rótulo a todos os tipos de produtos. De um modo geral, a IA refere-se a tecnologias que podem imitar funções cognitivas comummente associadas à inteligência humana. Estas tecnologias são normalmente divididas em dois grupos: aprendizagem automática e IA generativa. Os modelos de aprendizagem automática utilizam algoritmos para identificar padrões, tomar decisões e melhorar o desempenho através da experiência; não geram conteúdo novo. São utilizados para operar motores de busca e para tarefas como reconhecimento facial e de imagem, filtragem de spam em e-mails e chamadas telefónicas, previsão de condições de tráfego e otimização de rotas, bem como tradução de línguas.

 

Os modelos generativos de IA criam novos conteúdos graças ao treino em conjuntos de dados. Os modelos de linguagem não-grandes especializam-se em conteúdo não textual, como imagens e vídeos. Os modelos de linguagem de grande dimensão têm a capacidade de gerar textos semelhantes aos humanos. As versões mais avançadas também podem codificar e produzir saídas de imagem e vídeo. É o desenvolvimento e a operação destes modelos avançados que impulsionam a expansão da IA.

 

Os mais conhecidos incluem ChatGPT (OpenAI), Claude (Anthropic), Gemini (Google), Grok (xAI) e Llama (Meta). E é a crença na sua rentabilidade futura que incentiva as empresas tecnológicas a continuarem a construir os centros de dados necessários para a sua formação e operação. Mas aí reside o problema: evidências crescentes sugerem que estes modelos avançados de IA são tecnologicamente incapazes de servir de ponte para algo semelhante à Inteligência Artificial Geral (IAG) e, como existem atualmente, são demasiado falhos e dispendiosos para obter uma adoção paga significativa por parte das empresas.

 

Todos dependem de redes neuronais complexas que são programadas para selecionar probabilisticamente palavras ou imagens com base no reconhecimento de padrões desenvolvido durante o treino, para gerar respostas a estímulos. Não “pensam” nem “raciocinam”, e, dada a sua estrutura interna, não há forma de os transformar em unidades que operem autonomamente, capazes de resolver problemas inéditos sem reprogramação específica para cada tarefa (18).

 

Esta estrutura também limita seriamente a sua adequação para uso geral. Por exemplo, como grande parte dos dados utilizados para o seu treino são extraídos da internet e, por isso, incluem textos odiosos, discriminatórios e simplesmente absurdos, estes modelos geram resultados que frequentemente replicam estes enviesamentos e podem também incentivar pensamentos delirantes perigosos (19).

 

Talvez o mais preocupante para as empresas seja o facto de também inventarem coisas periodicamente ou “alucinarem”. Um exemplo disso: em fevereiro de 2025, a BBC testou a capacidade de todos os principais modelos de IA para resumir notícias, alimentando-os com conteúdo do site da BBC e, em seguida, questionando-os sobre o assunto (20). Aproximadamente 20% das suas respostas “introduziram erros factuais, como afirmações factuais incorretas, números e datas”.

 

Os desenvolvedores de IA geralmente minimizam a gravidade destes problemas, alegando que serão ultrapassados com conjuntos de dados melhores e maiores, algoritmos mais sofisticados e maior poder computacional. No entanto, inúmeros estudos comprovaram o contrário. Como explicou o New York Times: “As tecnologias mais recentes e poderosas… estão a gerar mais erros, não menos” (21). E um estudo realizado por investigadores da OpenAI concluiu que “grandes modelos de linguagem produzirão sempre alucinações devido a limitações matemáticas fundamentais que não podem ser resolvidas através de uma melhor engenharia” (22).

 

De forma não surpreendente, pois, uma avaliação de 2025 do MIT Media Lab, sobre centenas de adoções de IA, constatou que “95% das organizações não estão a obter qualquer retorno” (23). Um inquérito a mais de 1.000 empresas na América do Norte e na Europa, realizado pela S&P Global Market Intelligence, descobriu que 42% tinham abandonado a maior parte das suas iniciativas de IA em 2025, um aumento em relação aos 17% em 2024 (24). Um inquérito do National Bureau of Economic Research a executivos líderes dos Estados Unidos da América, Reino Unido, Alemanha e Austrália, realizado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, revelou que “as empresas reportam pouco impacto da IA nos últimos 3 anos, com mais de 80% das empresas a reportarem nenhum impacto no emprego ou na produtividade” (25).

 

Este histórico desanimador deixou os promotores de IA em grandes apuros. Os seus modelos são caros de treinar e executar, mas, dadas as suas limitações, só conseguem construir a sua base de clientes oferecendo serviços de subscrição gratuitos ou altamente subsidiados. Mesmo as contas profissionais pagas dão prejuízo à OpenAI, devido aos elevados custos computacionais associados a cada consulta (26).

 

O ChatGPT perdeu 5 mil milhões de dólares em 2024 e 8 mil milhões em 2025. A OpenAI prevê um prejuízo de 14 mil milhões de dólares em 2026 e alguns analistas acreditam que a empresa poderá ficar sem dinheiro em meados de 2027 sem um grande aporte de novo capital (27). O ChatGPT tem mais de 500 milhões de utilizadores semanais, mas apenas 15,5 milhões são subscritores pagantes, o que, como refere o comentador tecnológico Ed Zitron, “é uma taxa de conversão absolutamente lamentável” (28). A Anthropic está a seguir o mesmo caminho: perdeu 5,2 mil milhões de dólares em 2025 (29).

 

Sem se deixarem abalar, os programadores de IA continuam a investir em novos modelos, e os fornecedores de hiperescala continuam a construir centros de dados cada vez maiores para os suportar (30). Estes investimentos podem impulsionar a economia dos E.U.A. por mais alguns anos, mas, eventualmente, a pressão por lucros forçará um ajuste em baixa nos investimentos relacionados com a IA e, consequentemente, no crescimento geral do país. No entanto, este é o cenário otimista. Diversos economistas e analistas começaram a alertar que a expansão da IA está a transformar-se numa bolha que poderá rebentar em breve, desencadeando uma recessão potencialmente grave (31).

 

Uma das principais razões para esta preocupação é a vulnerabilidade financeira da OpenAI. A empresa já assinou contratos que a comprometem a investir cerca de 1,4 milhões de milhões de dólares em infraestruturas de IA nos próximos oito anos, incluindo 500 mil milhões de dólares para a compra de chips da Nvidia e 300 mil milhões de dólares para os serviços de computação da Oracle (32). Trata-se de uma enorme quantia para uma empresa que continua deficitária, o que significa que uma fatia considerável terá de ser captada nos mercados de dívida privada.

 

Mas se a OpenAI continuar a queimar dinheiro ao ritmo atual, as suas necessidades de financiamento irão provavelmente aumentar em breve a um nível inaceitável para o mercado. Quando isso acontecer, a empresa não terá outra opção senão reduzir as suas operações, e os seus credores sofrerão prejuízos. Os efeitos espalhar-se-ão. Por exemplo, a Oracle também depende fortemente da dívida para financiar a construção do seu centro de dados e conta com a OpenAI para a maior parte das suas receitas futuras. A saída da OpenAI criará, portanto, sérias dificuldades financeiras para a Oracle e para os seus credores. Como a OpenAI e a Oracle são grandes clientes da Nvidia, a contenção de gastos por parte destas provocará uma queda na procura dos chips da Nvidia e, provavelmente, no preço das suas ações. E assim sucessivamente.

 

Até as maiores empresas tecnológicas estão em risco. Elas têm também contraído empréstimos avultados, sendo o dinheiro captado nos mercados de dívida destinado a cobrir pelo menos metade do custo dos seus investimentos em centros de dados. Como observa um analista financeiro: “Se o mercado da inteligência artificial, no mínimo, estabilizar o seu crescimento, em breve teremos capacidade excedentária, a dívida tornar-se-á inútil e as instituições financeiras perderão dinheiro” (33).

 

Embora seja impossível saber quando e como a expansão da IA irá terminar, duas coisas são claras. Em primeiro lugar, não estamos no bom caminho para criar um sistema de IAG (Inteligência Artificial Geral) que iria resolver sem esforço as nossas inúmeras crises. Na verdade, acontece precisamente o contrário: o esforço despendido pelos multimilionários da tecnologia para dominar as nossas vidas deixou-nos numa situação pior, com uma economia desequilibrada, capacidades estatais e proteções sociais mais frágeis e uma crescente dependência de sistemas de IA problemáticos (34).

 

Em segundo lugar, o fim desta expansão não levará a um reinicialização automática da nossa economia política. Se queremos uma nova economia, mais responsiva às necessidades humanas, teremos de lutar por ela.

 

Em movimento

 

Há indícios de que a movimentação capitalista está, lenta mas firmemente, a contribuir para o crescimento de um movimento de resistência com potencial para transformar drasticamente o panorama político. Por exemplo, a investigação mostra que quanto mais experiência as pessoas têm com sistemas de IA generativa, mais desconfiam deles. Uma sondagem da YouGov de 2025 constatou que “uma parcela crescente de norte-americanos mostra-se cética em relação à IA e espera que esta tenha um impacto negativo na sociedade” (35).

 

Atualmente, a oposição mais organizada à utilização da IA vem dos sindicatos, especialmente aqueles que representam jornalistas, desenhadores gráficos, argumentistas e atores, com algumas vitórias importantes já averbadas no seu currículo (36). A rápida introdução de sistemas de IA nas escolas e nos hospitais levou também os sindicatos de professores e da área da saúde a exigir que a utilização da IA se tornasse um ponto obrigatório nas negociações coletivas. Sem dúvida, os trabalhadores de outros setores seguirão o exemplo em breve.

 

A oposição que cresce mais rapidamente à expansão da IA vem do movimento contra os centros de dados. A maioria dos centros de dados construídos atualmente são hiperescaláveis, que são, como o próprio nome indica, enormes. Os residentes das proximidades estão justificadamente preocupados com os efeitos na sua saúde da poluição sonora proveniente dos ventiladores de refrigeração e da poluição do ar provocada pelos geradores a diesel de reserva. Preocupam-se também com o impacto destes centros de dados no valor dos imóveis locais e na qualidade de vida nos seus bairros.

 

Ainda assim, o enorme consumo de energia destes hipercentros de dados tornou-se a maior preocupação. Isto está a aumentar as faturas de eletricidade residenciais e a incentivar os governos estaduais a reabrirem ou a prolongarem a vida útil de muitas centrais termoelétricas a carvão existentes no país. Os centros de dados consomem atualmente cerca de 5% da eletricidade dos Estados Unidos da América, e as previsões indicam que este número subirá para quase 10% até 2030 (37). É impossível exagerar o perigo que esta tendência representa para a luta contra o aquecimento global. Os hipercentros de dados são também grandes consumidores de água. Um grande centro de dados pode consumir até 1,32 milhões de litros de água potável por dia, o equivalente ao consumo diário de água de uma cidade de 50.000 habitantes (38).

 

Estas preocupações motivaram muitas organizações ambientais a juntarem-se a grupos comunitários na oposição a novos centros de dados. Os seus esforços produziram vitórias importantes em cidades e estados de todo o país, incluindo moratórias na construção de novos centros de dados (39).

 

A aliança entre os bilionários da tecnologia e Trump baseia-se em mais do que um interesse comum no desenvolvimento da IA. É também sustentada por uma desconfiança partilhada nas práticas democráticas e pela oposição a leis, regulamentos e agências governamentais que têm a capacidade de travar a geração de lucro capitalista. E isto também está a gerar resistência: a indignação com as ações da polícia de imigração e aduana (ICE), especialmente os assassinatos de janeiro de 2026 em Minneapolis, levou muitos trabalhadores da área da tecnologia a exigir que as suas empresas cancelassem os contratos com a agência e terminassem o seu apoio mais amplo às políticas da administração Trump (40).

 

De um modo geral, o ressentimento, senão o ódio declarado, aos multimilionários está a crescer. Musk tornou-se um alvo especial de desprezo devido à forma como usou a sua liderança no Departamento de Eficiência Governamental para desmantelar programas sociais. Ações como a "destruição de Teslas" são acontecimentos populares.

 

Em muitas partes do país, as manifestações têm agora como alvo direto os multimilionários, sendo ouvidos com frequência gritos de “Povo acima dos multimilionários” (“People over billionnaires”). As manifestações “No Kings” (Chega de Reis), em outubro de 2025 e março de 2026, atraíram milhões de pessoas. Em algumas cidades, a população foi além da simples expressão de insatisfação, elegendo autoproclamados socialistas para cargos de influência política limitada, mas real, como presidentes de câmara e vereadores.

 

Em síntese, os multimilionários da tecnologia não conseguiram alcançar a dominância que desejam. As pessoas continuam a demonstrar capacidade e determinação para resistir. Mas a resistência por si só não será suficiente; um impasse que permita ao capitalismo continuar a moldar as nossas escolhas só garantirá um constante agravamento das nossas condições de vida e de trabalho.

 

Ultrapassar este impasse não é tarefa fácil. Uma das razões é a sempre presente tentação de uma campanha eleitoral anti-Trump liderada pelo Partido Democrata. Infelizmente, os líderes do Partido Democrata já deixaram claro que esperam reconstruir laços com os oligarcas da tecnologia. Em dezembro de 2025, o líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, anunciou a criação da Comissão Democrata da Câmara sobre a IA e a Economia da Inovação. Todos os cinco membros nomeados têm relações próximas e de apoio com a comunidade tecnológica e de IA (41).

 

Ajudar aqueles que resistem a evitar esta armadilha não será fácil, mas está longe de ser impossível. Entre as principais tarefas deverá estar o desenvolvimento de uma estratégia de organização que possa trazer o movimento operário em geral para a luta de forma mais direta, fortalecer as ligações entre as várias organizações e movimentos laborais e comunitários já em ação e, talvez o mais importante, ajudar os participantes a perceber que, por detrás das ameaças ao nosso bem-estar representadas pelos sistemas de IA e pela aliança entre Trump e os bilionários da tecnologia, está uma economia política capitalista destrutiva que deverá ser o nosso principal alvo de mudança.

 

 

 

 

 

 

 

(*) Martin Hart-Landsberg é um economista e académico norte-americano, atualmente professor emérito de Economia no Lewis & Clark College, em Portland, Oregon. As suas áreas de ensino e investigação incluem a economia política, o desenvolvimento económico, a economia internacional e a economia política do Leste Asiático. É autor de sete livros sobre temas relacionados com a globalização e a economia política do Leste Asiático, com foco na China, Japão e Coreia; a sua obra tem sido traduzida em diversas línguas. Destacamos Development, Crisis, and Class Struggle: Learning from Japan and East Asia, com Paul Burkett, New York: St. Martin’s Press, 2000; China and Socialism: Market Reforms and Class Struggle, com Paul Burkett, New York: Monthly Review Press, 2005; Capitalist Globalization: Consequences, Resistance, and Alternatives, New York: Monthly Review Press, 2013; Marxist Perspectives on South Korea in the Global Economy, editado com Richard Westra e Seongjin Jeong, Routledge, 2017. Publicou ainda vários artigos em revistas como Monthly Review, Critical Asian Studies, Journal of Contemporary Asia, Review of Radical Political Economics, Against the Current e Historical Materialism. É presidente do Portland Rising, um comité do Portland Jobs With Justice, e presidente da secção do Oregon da National Writers Union. Mantém o blogue Reports from the Economic Front. O presente artigo foi publicado no Vol. 78, n.º 3 de Monthly Review. Todos os direitos reservados. A tradução é da responsabilidade de Ângelo Novo.

 

 

______________

NOTAS:

 

(1) Mike Allen, “Behind the Curtain: Trump Bets Party, Presidency on AI”, Axios, December 8, 2025.

 

(2) Ver Timnit Gebru e Émile P. Torres, “The TESCREAL Bundle: Eugenics and the Promise of Utopia Through Artificial General Intelligence”, First Monday 29, n.º 4 (April 2024).

 

(3) Benjamin Riley, “Cutting-Edge Research Shows Language Is Not the Same as Intelligence,” The Verge, November 25, 2025.

 

(4) Alex Morris, “What Is Up with These Tech Billionaires? This Astrophysicist Has Answers”, Rolling Stone, July 14, 2025.

 

(5) Jeannine Mancini, “Jeff Bezos Says He Doesn’t Understand Why Anybody Alive Now Would Be ‘Discouraged'”, Yahoo Tech, October 24, 2025.

 

(6) Matthew Purdy, “The Techno-Futuristic Philosophy Behind Elon Musk’s Mania”, The New York Times, May 31, 2025.

 

(7) Marc Andreessen, “The Techno-Optimist Manifesto”, Andreessen Horowitz, October 16, 2023.

 

(8) Margaux MacColl, “Palmer Luckey: Every Country Needs a ‘Warrior Class’ Excited to Enact ‘Violence on Others in Pursuit of Good Aims'”, TechCrunch, October 1, 2024.

 

(9) Johana Bhuiyan, Dara Kerr e Nick Robins-Early, “Inside Tech Billionaire Peter Thiel’s Off-the-Record Lectures About the Antichrist”, The Guardian, October 10, 2025.

 

(10) Para uma excelente visão geral dos argumentos, consulte Adam Becker, More Everything Forever: AI Overlords, Space Empires, and Silicon Valley’s Crusade to Control the Fate of Humanity (New York: Basic Books, 2025).

 

(11) Martin Hart-Landsberg, “Exposing the Big Con: The False Promise of Artificial Intelligence”, Reports from the Economic Front (blog), February 21, 2025.

 

(12) Cory Doctorow, “The Real AI Fight”, Cory Doctorow (blog), Nov 27, 2023.

 

(13) Sacks deixou o cargo em março de 2026, depois de ter cumprido o tempo máximo permitido como funcionário público especial. No entanto, a sua influência mantém-se; foi nomeado copresidente do recém-criado Conselho de Assessores do Presidente para a Ciência e Tecnologia.

 

(14) Francesca Bria, “Takeover by Big Tech,” Le Monde Diplomatique, November 2025.

 

(15) Aaron Mehta e Ashley Roque, “Pentagon Seeks to Shift $50B In Planned Funding to New Priorities In FY26”, Breaking Defense, February 19, 2025.

 

(16) Matt Day e Annie Bang, “Big Tech to Spend $650 Billion This Year as AI Race Intensifies”, Bloomberg News, February 5, 2026.

 

(17) Edward Zitron, “The AI Bubble Is a Time Bomb”, Where’s Your Ed At? (blog), January 23, 2026.

 

(18) Martin Hart-Landsberg, “It’s Time to Confront Big Tech’s AI Offensive”, Reports from the Economic Front (blog), August 4, 2025.

 

(19) Martin Hart-Landsberg, “No, You Aren’t Hallucinating, the Corporate Plan for AI Is Dangerous”, Reports from the Economic Front (blog), June 21, 2025.

 

(20) Imran Rahman-Jones, “AI Chatbots Unable to Accurately Summarize News, BBC Finds”, BBC News, February 11, 2025.

 

(21) Cade Metz and Karen Weise, “AI Is Getting More Powerful, But Its Hallucinations Are Getting Worse”, The New York Times, May 5, 2025.

 

(22) Gyana Swain, “OpenAI Admits AI Hallucinations Are Mathematically Inevitable, Not Just Engineering Flaws”, ComputerWorld, September 18, 2025.

 

(23) Aditya Challapally et al., “The GenAI Divide, State of AI In Business 2025,” MIT NANDA, July 2025.

 

(24) Lindsey Wilkinson, “AI Project Failure Rates Are On the Rise: Report”, CIODIVE, March 14, 2025.

 

(25) Ivan Yotzov et al., “Firm Data On AI”, NBER Working Paper no. 34836, National Bureau of Economic Research, Washington DC, February 2026.

 

(26) Fenwick McKelvey, “Generative AI Might End Up Being Worthless—and That Could Be a Good Thing”, The Conversation, September 28, 2025.

 

(27) Martin Hart-Landsberg, “AI and the Economy: A Losing Bet for Working People”, Reports from the Economic Front (blog), February 16, 2026.

 

(28) Edward Zitron, “Make Fun of Them”, Where’s Your Ed At? (blog), June 30, 2025.

 

(29) Edward Zitron, “The Hater’s Guide to Anthropic”, Where’s Your Ed At? (blog), February 20, 2026.

 

(30) Elissa Welle, “Racks of AI Chips Are Too Damn Heavy”, The Verge, December 16, 2025.

 

(31) Hart-Landsberg, “AI and the Economy.”

 

(32) Jez Corden, “OpenAI Is a Loss-Making Machine, With Estimates That It Has No Road to Profitability by 2030”, Windows Central, November 29, 2025.

 

(33) Bobby Allyn, “Here’s Why Concerns About an AI Bubble Are Bigger Than Ever”, National Public Radio, November 23, 2025.

 

(34) A oligarquia tecnológica parece cada vez mais empenhada em "transformar as agências governamentais e as instituições públicas em clientes de última instância para os seus produtos de IA". Veja Matt Seybold, “‘You Have to Use It. You Have to Trust It.’: Forced Adoption of AI Is the Subtext of Davos”, The American Vandal (blog), January 23, 2026.

 

(35) Jamie Ballard, “Americans Are Increasingly Skeptical About AI’s Effects”, YouGov, March 13, 2025.

 

(36) Keith Brower Brown, “Four Union Strategies to Fight on AI”, Labor Notes, March 5, 2026.

 

(37) “The Data Center Backlash Is Brewing in America”, The Economist, October 30, 2025.

 

(38) Miguel Yañez-Barnuevo, “Data Centers and Water Consumption”, Environmental and Energy Study Institute, June 25, 2025.

 

(39) Martin Hart-Landsberg, “Data Center Resistance: A Good Ground Game Can Help Stop the Corporate AI Offensive”, Reports from the Economic Front (blog), November 12, 2025.

 

(40) Mike Isaac e Natallie Rocha, “As Tech Chiefs Woo Trump, Silicon Valley Seethes Over Minneapolis Shootings”, The New York Times, January 26, 2026.

 

(41) Henry Burke, “Democratic Voters Are Clamoring for AI Regulation. Their Leaders Aren’t Interested”, The American Prospect, December 12, 2025.