Apostando na perda infinita

 

 

Alex Callinicos (*)

 

 

O pensador católico do século XVII Blaise Pascal sugeriu que imaginássemos acreditar em Deus como uma aposta:

 

“Vamos ponderar o ganho e a perda envolvidos em apostar que Deus existe. Vamos avaliar os dois casos: se você vencer, ganhará tudo, se perder, não perderá nada. Não hesite então; aposte que ele realmente existe... deste modo, há uma infinidade de vida infinitamente feliz para ser ganha, uma hipótese de ganhar contra um número finito de hipóteses de perder, e o que você está apostando é finito. Isso não deixa escolha; onde quer que haja infinito, e não haja infinitas hipóteses de perder contra as de ganhar, não há espaço para hesitação, você deve dar tudo” (1).

 

O argumento de Pascal tem sido atraente para aqueles marxistas que não querem considerar o triunfo do socialismo como uma coisa certa. No filme de Éric Rohmer, Ma nuit chez Maud, um dos personagens diz que, como marxista, pensa na revolução socialista da mesma maneira como Pascal pensava sobre Deus - algo incerto, de que, não obstante, devemos considerar como se fosse real, porque se fosse real, a história faria sentido. Nos dois casos, estamos apostando em algo desejável. Mas e se a aposta for, não sobre “vida infinitamente feliz”, mas sobre a perda infinita? Indiscutivelmente, é isso o que carateriza o novo ativismo ambiental simbolizado pelas greves escolares iniciadas por Greta Thunberg e pela Extinction Rebellion (XR): agir politicamente como se a catástrofe climática fosse iminente, como sendo a melhor esperança de preveni-la.

 

A iminência da catástrofe climática foi expressa vividamente num documento amplamente partilhado do académico Jem Bendell. Ele propõe que “consideremos as implicações de que seja tarde demais para evitar uma catástrofe ambiental global na vida das pessoas que vivem hoje”. Bendell argumenta que devemos fazer isso porque,

 

“infelizmente, os dados coletados desde [2014] são frequentemente consistentes com mudanças não lineares no nosso ambiente. Mudanças não-lineares são de importância central para o entendimento da mudança climática, pois sugerem que os impactos serão muito mais rápidos e severos do que as previsões baseadas em projeções lineares e que as mudanças não mais se correlacionam com a taxa de emissões de carbono antropogénicas [i.é, geradas por humanos]. Por outras palavras – está em curso uma «mudança climática descontrolada» (runaway)” (2).

 

Processos não lineares são característicos de sistemas complexos onde a mudança nem sempre assume a forma de aumentos graduais, podendo ser autorreforçada e, portanto, acelerada (3). O aquecimento do Ártico é um exemplo. Ele é uma consequência do aumento geral das temperaturas, mas, ao reduzir a quantidade de camadas de gelo que refletem os raios do sol, acelera o aquecimento global, assim conduzindo a novas reduções. Mas o aquecimento da região polar também poderia liberar metano - um gás climático mais poderoso do que o CO2 - atualmente preso na superfície ou no subsolo permafrost. O exemplo mais assustador que Bendell dá é um estudo de 2010 alertando “como o aquecimento do Ártico poderia levar a uma velocidade e escala de liberação de metano que seria catastrófica para a vida na Terra, através de um aquecimento atmosférico de mais de 5 graus centígrados em poucos anos apenas após um tal lançamento” (4).

 

No entanto, não é um estudo concreto, mas a acumulação de provas de diferentes fontes e abrangendo diferentes áreas - por exemplo, a destruição da biodiversidade e os efeitos do aumento da temperatura e do nível do mar na agricultura - que leva Bendell a concluir:

 

“A evidência diante de nós sugere que estamos a caminho de níveis disruptivos e incontroláveis de mudança climática, trazendo fome, destruição, migração, doenças e guerra.

 

… As palavras com que terminei o parágrafo anterior podem parecer, subconscientemente, pelo menos, estar descrevendo uma situação perante a qual devemos sentir pena, como quando assistimos a certas cenas na TV ou em linha. Mas quando digo fome, destruição, migração, doença e guerra, quero dizer na sua própria vida. Com a energia cortada, em breve você não teria água saindo da sua torneira. Você dependerá de seus vizinhos para comida e algum calor. Você ficará desnutrido. Você não consegue decidir se fica ou se parte. Você terá medo de ser morto com violência, antes de morrer de fome” (5).

 

Numa excelente resposta ao artigo de Bendell, Jonathan Neale concorda que “o colapso social é inevitável, a catástrofe é provável e a extinção é possível”. Mas ele dá um conteúdo sociopolítico muito mais concreto ao colapso e à catástrofe, que é significativamente diferente das habituais imagens distópicas familiares dos filmes de Mad Max ou, mais recentemente, do romance de Cormac McCarthy, The Road, e do filme nele baseado:

 

“Temos experiência suficiente de horror na história moderna para saber como será o ‘colapso social’ da mudança climática. Considere os meados do século XX, quando sessenta milhões foram mortos. Provavelmente um pequeno número comparado ao que vamos enfrentar, mas útil como primeiro pensamento…

 

Quase nenhum desses horrores foi cometido por pequenos grupos de selvagens vagando pelas ruínas. Eles foram cometidos por Estados e por movimentos políticos de massas.

 

A sociedade não se desintegrou. Não se desfez. A sociedade intensificou-se. O poder concentrou-se e dividiu-se, e esses poderes nos mataram uns aos outros. Parece razoável supor que o colapso social climático será assim. Apenas com cinco vezes mais mortos, se tivermos sorte, e vinte e cinco vezes mais, se não tivermos.

 

Lembre-se disso, porque quando o momento da mudança climática incontrolável vier até si, onde você mora, não virá na forma de alguns motociclistas peludos vagueando por aí. Ela virá com os tanques nas ruas e os militares ou os fascistas tomando o poder.

 

Esses generais falarão em linguagem verde profunda. Eles falarão do decrescimento e dos limites da ecologia planetária. Eles nos dirão que consumimos demasiado, que fomos muito gananciosos, e que agora, pelo bem da Mãe Terra, devemos apertar nossos cintos…

 

Os nossos novos governantes vão atiçar as chamas de novos racismos. Vão explicar porque devemos manter as hordas famintas de sem-teto do outro lado do muro. Porque, lamentavelmente, temos que disparar sobre elas ou deixá-las afogar” (6).

 

Por outras palavras, as estruturas do poder capitalista não se desintegrarão em face da catástrofe climática. Procurarão manter-se, adaptando-se, a um alto preço para as pessoas comuns. Além dos exemplos de assassinatos em massa durante a Segunda Guerra Mundial, em que Neale se concentra, podemos aprender com as terríveis fomes que pontuam a história do imperialismo britânico - acima de tudo, a da Irlanda de 1845-9 e a do Bengala de 1943-4. Uma coisa comum a esses episódios aterradores é que o sofrimento foi sobredeterminado pela classe: os pobres pereceram em grande escala, enquanto que, para os ricos - proprietários de terras, capitalistas, administradores coloniais e comandantes - era tudo uma questão de negócios como de costume (“business as usual”). As fomes não são, notoriamente, catástrofes naturais, mas um produto das relações sociais e, em particular, da incapacidade dos pobres em obter acesso aos recursos de que precisam para sobreviver. Elas oferecem uma sugestão do que pode vir a ser nosso futuro - ou o dos nossos filhos e netos (7).

 

Abastecendo e lucrando com as mudanças climáticas

 

O processo de adaptação capitalista às mudanças climáticas já está em andamento. O capitalismo não consiste apenas em empresas ligadas aos combustíveis fósseis, contentes em queimar o planeta, se é assim que se conseguem lucros. Nós vemos um processo muito mais contraditório em andamento. Por um lado, os queimadores do planeta estão ainda bastante ocupados – da forma mais evidente na indústria em franca expansão da extração de petróleo e gás por fraturamento hidráulico (“fracking”), que está projetada para tornar os Estados Unidos da América um exportador de energia no ano que vem, pela primeira vez desde 1953 (8). Os principais bancos dos E.U.A. - provavelmente o mais importante grupo de interesses capitalistas no mundo contemporâneo - estão profundamente implicados no financiamento de investimentos em combustíveis fósseis.

 

Uma coalizão de ONGs liderada pela Rainforest Action Network produziu um relatório mostrando que, desde o acordo de Paris de dezembro de 2015 - que deveria reduzir as emissões de CO2 suficientemente para evitar que as temperaturas globais subissem neste século mais do que 2° C acima dos níveis pré-industriais - o financiamento bancário da indústria dos combustíveis fósseis aumentou constantemente, para US$612 mil milhões em 2016, US$646 mil milhões em 2017, US$654 mil milhões em 2018. Os “piores bancos”, segundo o relatório, são quatro mamutes americanos - JPMorgan Chase, Wells Fargo, Citi e Bank of America (em número seis, o Barclays é o maior banco europeu da lista). O JPMorgan assume a liderança no financiamento de projetos destinados a expandir a extração de combustíveis fósseis - é o banqueiro número um da areia betuminosa, do petróleo e gás ártico e de águas ultra-profundas, bem como do gás natural liquefeito, sendo o segundo maior banco no fraturamento hidráulico, logo atrás do Wells Fargo (9).

 

As atividades dos maiores bancos de investimento são, contudo, apenas a ponta de um icebergue muito maior. Carol Olson e Frank Lenzmann argumentam que a cadeia de fornecimento de combustíveis fósseis tornou-se inteiramente financeirizada, estando o chamado setor bancário sombra (“shadow banking”) - fundos de cobertura (“hedge funds”), firmas de participação privada (“private equity firms”) e vários outros tipos de fundos de investimento, muito menos regulamentados que os bancos convencionais - muito ativo em transações especulativas nas várias etapas do processo de extração e distribuição de petróleo, gás, carvão e urânio:

 

“À medida que mais regulamentações do comércio financeiro pelos bancos foram sendo introduzidas, após 2008, o comércio de mercadorias fungíveis (“commodities”) pelos bancos diminuiu e foi absorvido pelos “bancos-sombra”. Também usados como intermediários por megabancos, os bancos-sombra continuam a acumular ativos em transações bancárias paralelas ao longo da cadeia de valor do petróleo e do gás. Em 2014, 52 fundos de participação privada levantaram US$39 mil milhões para investimentos no setor de petróleo e energia, 20% acima do valor do ano anterior e o maior desde 2008… Não dispostas a perder vantagem competitiva, empresas e serviços públicos de petróleo e gás estabeleceram subsidiárias bancárias, de investimento e/ou negociação em mercadorias fungíveis. Com enormes ativos de capital e acesso a dinheiro com os privilégios concedidos aos bancos, os fornecedores de combustíveis fósseis passaram a ter condições muito mais favoráveis do que outras empresas. Uma unidade da concessionária francesa EDF comprou a unidade de negociação física do Lehman Brothers durante a crise financeira e registrou um aumento de 60% em suas receitas desde 2008... Uma vantagem importante para as unidades comerciais corporativas é que elas, ao contrário dos bancos, não são proibidas de negociar com o seu próprio dinheiro. Quando as unidades da BP e da Royal Dutch Shell se registaram como “negociantes de swaps”, em 2013, elas foram percebidas como estando no mesmo nível dos megabancos em termos de seus negócios com derivativos. Os comerciantes corporativos foram estimados em 2013 como responsáveis por cerca de 40% do negócio da socialização de riscos no gás e petróleo nos E.U.A., a partir de quase nada há apenas alguns anos. O conglomerado multibilionário possuído por Charles e David Koch, “Koch Supply and Trading”, tem uma unidade que alega ter negociado o primeiro swap de petróleo há mais de 25 anos. Agora, emprega cerca de 500 pessoas em todo o mundo e promove-se como uma alternativa à Wall Street. Em 2013, o Dr. Markus Krebber, CFO, descreveu a unidade comercial da empresa alemã, RWE Supply & Trading, como sendo o coração comercial da RWE, desempenhando mais ou menos as funções da tesouraria nos bancos, através da qual todos os fluxos de mercadorias fungíveis passam” (10).

 

Deste modo, o capitalismo continua a investir pesadamente nas indústrias de combustíveis fósseis, e Donald Trump está agindo como um megafone para esses interesses. Tudo isso apoia o argumento de Andreas Malm de que:

 

“Quanto mais forte se tornou o capital global, mais desenfreado foi o crescimento das emissões de CO2 - de facto, pode-se argumentar que a decisiva vitória capitalista na longa luta do século XX com o trabalho foi coroada pela corrida pós-2000 em direção ao aquecimento global catastrófico. Contando de 1870 a 2014, um quarto de todas as omissões cumulativas de CO2 foram emitidas nos últimos quinze anos do período” (11).

 

Por outro lado, as empresas estão respondendo aos lentos esforços oficiais de avanço para uma economia neutra em carbono, explorando novas oportunidades de lucro. Isso é mais fácil para empresas relativamente novas, que investiram menos no complexo energético existente. Isso ajuda a explicar o alinhamento entre os gigantes norte-americanos de tecnologia de informação (TI) - os FAANGs (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) - e a política de Barack Obama de reconhecer e gerenciar as mudanças climáticas (embora as empresas de TI sejam grandes produtoras de CO2 através de seus servidores, como o são, é claro, as carrinhas de entregas da Amazon). A um nível mais paroquial, os patrões de mais de 120 empresas britânicas, juntamente com a Confederação da Indústria Britânica, escreveram a Theresa May apoiando a recomendação do Comité para as Mudanças Climáticas de que o governo adotasse uma meta legalmente obrigatória de zero emissões líquidas até 2050 (12).

 

O impulso para se adaptar também afeta algumas das corporações de combustíveis fósseis. A indústria automobilística continua sendo uma enorme fonte de emissões de CO2. A BBC informou, no final de 2018:

 

“Um fator comum entre os países ricos e pobres foi o contínuo aumento do consumo de petróleo no setor dos transportes. Na U.E., a quantidade de combustível usado em vôos e transporte rodoviário subiu 4%. Nos E.U.A., o uso de carvão caiu, enquanto os combustíveis fósseis usados em viagens de automóvel aumentaram 1,4%” (13).

 

Mas a indústria automobilística também está sob enorme pressão para se reestruturar, em parte devido ao rápido crescimento do mercado chinês, mas mais fundamentalmente por causa dos esforços para desenvolver carros elétricos e sem condutores, estimulados pelo escândalo das emissões de diesel. Essa enorme transformação tecnológica oferece aberturas para novos atores - por exemplo, Tesla, Google e agora, aparentemente, a Apple - numa indústria há muito dominada por um punhado de gigantes transnacionais. Esse processo de agitação está por detrás dos anúncios de encerramento de fábricas de automóveis na Grã-Bretanha e de dramas como a prisão, no Japão, do patrão da Renault-Nissan Carlos Ghosn, ou da aposta abortada de fusão da Fiat-Chrysler com a Renault.

 

Em sentido mais amplo, o sítio em rede de inteligência Stratfor argumentou em 2018 que

 

“A taxa de consumo de energia renovável está crescendo três vezes mais rápido que a procura geral por energia. Um mundo no qual as fontes renováveis respondem por, digamos, um terço da energia total consumida é agora totalmente plausível, e até provável, nas próximas duas ou três décadas. A mudança já está em andamento e não será menos transformadora do que as transições da madeira para o carvão e do carvão para o petróleo" (14).

 

A Stratfor argumenta que a mudança para a energia renovável produzirá perdedores - grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Rússia. Mas também haverá vencedores:

 

“A Alemanha e os Estados Unidos, por exemplo, estão bem posicionados para aproveitar o aumento das energias renováveis, graças à sua liderança no campo - e ao tamanho do mercado norte-americano. Mas a China está ainda melhor.

 

Na última década, a China correu para se tornar a líder inigualável do mundo na fabricação de produtos de energia limpa, incluindo células solares e baterias - das quais fabrica mais de metade da oferta global. É também a maior mineradora e fornecedora de materiais de terras raras do mundo, maior implantadora de capacidade de energia renovável e maior mercado de veículos elétricos. O país adquiriu importantes minas de lítio e cobalto no exterior para propulsionar seu impulso em direção à energia renovável, ao mesmo tempo em que investe em concessionárias de energia elétrica em todo o mundo, inclusive na Europa, África e América do Sul” (15).

 

Mais recentemente, o Financial Times relatou:

 

“No espaço de alguns anos, as empresas chinesas tornaram-se alguns dos maiores produtores mundiais de lítio, um metal leve que é uma matéria-prima fundamental para as baterias. Eles compraram minas da Austrália até à América do Sul e estão construindo fábricas na China para fabricar produtos químicos e baterias de lítio.

 

No mais recente exemplo da capacidade da China para canalizar quantidades imensas de capital para indústrias de rápido crescimento, o país produziu mais de 60% do lítio do mundo em abril, comparado com menos de 1% dos E.U.A., segundo a Benchmark Mineral Intelligence.

 

O domínio da China na cadeia de fornecimento de automóveis elétricos provocou preocupações crescentes em Washington e Bruxelas, obcecados pela uma guerra comercial, com medo de que pudessem ser expulsos da próxima geração de indústrias. No início de maio, dois senadores norte-americanos, Lisa Murkowski e Joe Manchin, propuseram uma lei bipartidária destinada a aumentar a produção norte-americana de minerais essenciais, como o lítio. E o Banco Europeu de Investimento prometeu 350 milhões de euros para apoiar a Northvolt, uma empresa de baterias sueca em fase de arranque, que pretende construir uma fábrica de baterias na Suécia e abastecer-se de minerais em bruto, como o lítio, na Europa” (16).

 

Uma dimensão central daquilo que é melhor descrito como a luta geoeconómica entre E.U.A. e China, na qual Trump embarcou, é o esforço que Washington faz para bloquear os planos de Pequim de enriquecer as suas indústrias, da montagem final de produtos com baixos salários, para a alta tecnologia, incluindo novos produtos cruciais para um capitalismo que se adapta à mudança climática (17). O exemplo das baterias sugere que Trump está tentando fechar a porta do estábulo, depois que o cavalo ter sido aferrolhado. Mas a questão mais ampla é que a reestruturação do capital em resposta às mudanças climáticas está profundamente entrelaçada com essa luta - não obstante facto de o próprio Trump estar em negação quanto à existência desse problema.

 

Vemos a mesma cena no caso da política de defesa dos E.U.A.. Em 2014, o Departamento de Defesa produziu um Roteiro de Adaptação às Mudanças Climáticas que tratou a mudança climática como um “multiplicador de ameaças”:

 

A mudança climática afetará os ambientes operacionais e pode agravar os riscos existentes ou desencadear novos riscos para os interesses dos E.U.A.. Por exemplo, o aumento do nível do mar pode afetar a execução de desembarques anfíbios; mudanças de temperatura e estações alongadas podem afetar as janelas de tempo de operação; e o aumento da frequência de condições climáticas extremas pode afetar a possibilidade de sobrevoo, bem como a capacidade de inteligência, vigilância e reconhecimento. A abertura de rotas marítimas do Ártico, anteriormente congeladas, aumentará a necessidade de o Departamento monitorizar os eventos, salvaguardar a liberdade de navegação e garantir a estabilidade nessa área rica em recursos. A manutenção da estabilidade no interior e entre outras nações é um meio importante para evitar conflitos militares em grande escala. Os impactos das mudanças climáticas podem causar instabilidade noutros países, prejudicando o acesso a alimentos e água, danificando a infraestrutura, disseminando doenças, desenraizando e deslocando grandes números de pessoas, obrigando a migrações em massa, interrompendo a atividade comercial ou restringindo a disponibilidade de eletricidade. Esses desenvolvimentos podem minar governos já frágeis que são incapazes de responder de forma eficaz ou desafiar governos atualmente estáveis, bem como aumentar a competição e a tensão entre países que disputam recursos limitados. Essas lacunas na governança podem criar ambiente propício à propagação de ideologias extremistas e condições fomentadoras do terrorismo” (18).

 

Isto foi sob Obama, é claro. Depois de assumir o cargo, Trump emitiu uma ordem executiva que rescindia as políticas climáticas do seu antecessor. Mas o Pentágono continuou pragmaticamente, por exemplo, a preparar-se para os eventos climáticos extremos que as mudanças climáticas tornaram mais frequentes (19). Seria loucura se ele não levasse em conta as mudanças climáticas no seu planeamento numa escala muito mais ampla.

 

Outra maneira de colocar a questão seria dizer que a mudança climática está se normalizando, sendo integrada no funcionamento quotidiano dos processos de acumulação competitiva que impulsionam o capitalismo. Significa isso que a catástrofe prenunciada por Bendell será evitada? Absolutamente, não. Em primeiro lugar, é muito improvável que um sistema económico organizado em torno da luta cega entre o que Karl Marx chamou de "muitos capitais" possa fazer uma mudança drástica nas prioridades económicas, de forma suficientemente rápida e profunda, para evitar uma mudança climática caótica. Os custos acarretados parecem ser altos demais para um sistema inerentemente voltado para o curto prazo e, ainda assim, em luta para superar os efeitos de uma enorme crise; existe também o temor de que os capitais baseados num Estado que assuma esses custos sejam prejudicados em comparação com os seus rivais noutros lugares. E os interesses ligados aos combustíveis fósseis continuam, como vimos, muito fortemente entrincheirados no cerne do sistema capitalista (20).

 

Um bom exemplo disto é fornecido pelo ex-chanceler do Tesouro, Philip Hammond, que fez lobby em vão contra a adoção do objetivo zero carbono até 2050 (que está 25 anos atrasado, de acordo com o XR). O Financial Times informa que ele escreveu a Theresa May avisando que:

 

"O custo total da transição para uma economia de carbono zero é provavelmente muito superior a um bilião (“trillion”) de libras" ... Embora a meta de 2050 seja apoiada por alguns líderes empresariais, Hammond argumentou que a indústria enfrentaria "custos significativos" ao mudar para processos de baixo carbono. Ele ressaltou que, a menos que os países concorrentes adotem a mesma política, a mudança poderia tornar “indústrias-chave” - como a indústria siderúrgica - economicamente não competitivas ou dependentes de apoio governamental permanente” (21).

 

Em segundo lugar, os processos naturais desencadeados pelas emissões de CO2 geradas pelo capitalismo industrial podem ter já ido longe demais para que qualquer intervenção humana os possa deter. É aqui que os circuitos de retroalimentação discutidos acima são tão importantes, já que poderiam levar as mudanças climáticas até níveis em que a vida humana, em qualquer coisa que se assemelhe às formas que tomou nos últimos séculos, se pode tornar insustentável. O mundo natural - do qual as sociedades humanas fazem parte, mas que vastamente as excede - terá sua própria palavra a dizer no resultado (22).

 

É da natureza própria dos processos não-lineares - que poderão transformar as mudanças climáticas em catástrofe planetária e colapso social - que só saberemos, com certeza, estarem a acontecer quando for já tarde demais para fazer algo a esse respeito. É aqui que entra a aposta de Pascal. A perspetiva de perda infinita pode, simplesmente, deixar alguém num estado de apatia desesperada. Bendell, professor de “liderança em sustentabilidade”, que faz apresentações em instituições como a Comissão Europeia, concentra-se principalmente em processos psicológicos que promovam uma resposta positiva à aceitação de que “o colapso é inevitável, a catástrofe provável e a extinção possível”. É o que ele chama de “adaptação profunda” (23).

 

Uma aposta revolucionária

 

O novo ativismo climático faz um movimento diverso, no qual a iminência da catástrofe se torna um estímulo para a ação coletiva, que é frequentemente entendida como revolução. O veterano ativista George Monbiot expressou isso muito bem:

 

“Conforme envelheci, passei a reconhecer duas coisas. Primeiro, que é o sistema, ao invés de qualquer variante desse mesmo sistema, que nos leva inexoravelmente ao desastre. Segundo, que você não precisa produzir uma alternativa definitiva para dizer que o capitalismo está falhando... Nossa escolha se resume a isto. Paramos a vida para permitir que o capitalismo continue ou paramos o capitalismo para permitir que a vida continue?” (24)

 

XR (Extinction Rebellion) expressa essa mudança em termos políticos mais concretos. Ele apresenta os factos e as tendências daquilo que descreve corretamente como uma “emergência climática” e, nessa base, apela a uma desobediência civil em massa para forçar os governos a adotarem uma meta de zero emissões líquidas até 2025. Para os fundadores da XR, essa abordagem é justificada por uma teoria sociológica que afirma que protestos pacíficos em massa, se se desenvolverem em escala suficientemente grande, exercerão pressão económica sobre o Estado, seja para negociar ou para se envolver em repressão. De facto, a repressão é vista como um sinal de derrota: a XR busca ativamente prisões em massa como uma tática central para pressionar os governos. Em março, Roger Hallam, o principal expoente desta teoria, argumentou que “será jogo acabado para o sistema, nos próximos dois anos”, e que “a escolha chave é se haverá fascismo ou algo vagamente progressivo” para substituir neoliberalismo (25).

 

É muito fácil encontrar buracos nesse tipo de perspetiva. Subestima as estruturas entrincheiradas do poder de classe na sociedade capitalista e a violência concentrada dos Estados que serve para mantê-las. Hallam afirma estar confiante na experiência de movimentos do Sul Global. Mas aí o que está em jogo é, principalmente, a sobrevivência de um governo específico e não de todo um sistema social e político. Testemunhe-se o que aconteceu no Egito desde junho de 2013 e o que está acontecendo agora no Sudão, para se compreender como reage o sistema quando está ameaçado. E o que está em jogo agora, face à catástrofe climática, é uma mudança de sistema do tipo mais profundo.

 

Para além disso, a experiência histórica de movimentos passados de desobediência civil não apoia a lei mecânica afirmada pela académica norte-americana Erica Chenoweth e repetida por XR, de que “são necessários apenas 3,5% da população empenhada em resistência não-violenta sustentada para derrubar ditaduras brutais” (26). Onde a resistência pacífica foi bem sucedida no passado, tem-no sido, crucialmente, graças a outros fatores. O movimento Quit India, de Gandhi, em 1942-4, rapidamente transbordou em violência popular e foi contido por uma intensa repressão. Foi o motim da Marinha indiana, de fevereiro de 1946, que demonstrou que a potência colonial não podia mais contar com a lealdade da vasta máquina militar que construíra no subcontinente, numa época em que a Grã-Bretanha também não podia mais espremer financeiramente a Índia, por causa das enormes dívidas que acumulara durante a Segunda Guerra Mundial (27).

 

O movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, nas décadas de 1950 e 1960, conseguiu forçar o desmantelamento do regime segregacionista no Sul, colocando pressão sobre um governo federal que representava uma classe dominante com pouco interesse em manter Jim Crow. Ao mesmo tempo, o governo do Partido Nacional, na África do Sul, esmagou impiedosamente a Campanha de Desafio de desobediência civil, organizada pelo Congresso Nacional Africano e seus aliados. Essa derrota levou a campanhas de guerrilha que foram, também elas, brutalmente quebradas; foi necessário um novo ciclo de lutas, começado com o levantamento do Soweto, em junho de 1976, envolvendo insurreições violentas nos distritos urbanos, greves de massa e a ascensão de um movimento militante de trabalhadores negros, para forçar o regime do apartheid a sentar-se à mesa de negociações (28).

 

Permanece o facto de que o XR está comprometido em organizar mobilizações de massa que criem uma rotura suficiente para começar a forçar a mudança. Mais do que isso – já começou a cumprir. A sua semana de protestos em massa de Londres, em abril, foi provavelmente a maior ação direta na história britânica, superando a campanha contra as armas nucleares organizada pelo Comité dos 100 em 1961. Isso deveria encorajar um pouco de humildade da parte da esquerda tradicional. Quando foi a última vez que paralisamos Londres?

 

Hallam repete críticas já familiares às “marchas de A a B”, que foram dirigidas contra a Campanha Stop the War após a invasão do Iraque em 2003. Mas, geralmente, a ação direta advogada por esses críticos como alternativa envolvia uma dependência elitista de pequenos grupos de pessoas especialmente treinadas. Embora o XR ofereça efetivamente treino de ação direta, a ênfase em abril foi colocada nas ações de massas inclusivas, com eventos atraentes, abertos, e apelos para que mais pessoas se envolvessem durante a semana de protesto em Londres. Além disso, enquanto os protestos climáticos contemporâneos tenham origem em contextos muito distantes do movimento sindical, eles envolvem formas de ação com afinidades com as tradicionalmente tomadas por trabalhadores organizados. Assim, Hallam compara o impacto da desobediência civil em massa ao de uma greve no metro, enquanto Thunberg endossou o pedido de uma greve climática global, marcada para 20 de setembro.

 

A resposta da esquerda revolucionária à nova militância climática deve ser bem simples. Devemos lançar-nos de todo o coração neste movimento - ajudando a construir grupos de XR locais, apoiando as greves nas escolas, participando de ações futuras e trabalhando para fazer das greves climáticas algo de real. Os socialistas dentro do XR devem construir ligações entre os novos movimentos climáticos e os sindicatos. Na Grã-Bretanha, a University and College Union (UCU) e o sindicato dos padeiros (BFAWU) já apoiaram os pedidos de greves contra as mudanças climáticas, e outros sindicatos, nomeadamente a nova União Nacional da Educação, apoiaram os grevistas nas escolas. Naturalmente, todo o tipo de problemas estratégicos e táticos surgirão à medida que o movimento se desenvolve. Mas o que importa, neste momento, é que a questão política das mudanças climáticas não é mais monopólio das negociações intergovernamentais e do lobby das ONGs. O desespero está se transformando em ação. Temos que tomar parte disto.

 

Isto é ainda mais importante porque a política dominante na Grã-Bretanha continua a ser dominada pela espiral de morte do Brexit. May esperava ganhar tempo para o seu tratado de retirada, convencendo o Conselho Europeu a adiar a saída da Grã-Bretanha da U.E. até 31 de outubro. Em vez disso, ela ajudou a tornar um Brexit sem acordo quase inevitável. Permanecer na U.E. por mais seis meses significa que a Grã-Bretanha participou das eleições parlamentares europeias. O adiamento do Brexit enfureceu os Leavers e deu aos Remainers esperança renovada; daí as eleições terem favorecido os elementos da linha-dura em ambos os campos - o novo Partido Brexit liderado por Nigel Farage, por um lado, e os liberais democratas, por outro. Isso fez com que alcançar o compromisso desesperadamente procurado pelas grandes empresas fosse ainda mais difícil de alcançar, dando a Farage uma segunda oportunidade para colocar a extrema-direita na linha da frente da política britânica dominante, como acontece já em muitos outros países europeus (29).

 

May já havia caído sobre a sua espada antes do desempenho desastroso dos Tories nas eleições europeias. A competição aberta para sucedê-la foi inevitavelmente dominada pela questão do Brexit sem acordo - tanto por causa da natureza de massa dos partidários Tory que tiveram a palavra final como por causa da pressão existente para capturar os eleitores perdidos para Farage e o Partido Brexit. Já a ideia completamente antidemocrática de suspender o Parlamento para impedir que a Câmara dos Comuns bloqueie um Brexit sem acordo foi cientemente congeminada por gente próxima do ex-candidato à liderança conservadora e atual ministro dos assuntos externos Dominic Raab.

 

O vencedor da contenda, e atual primeiro-ministro, Boris Johnson, é perfeitamente capaz de asneirar (“blundering”) a saída da U.E. sem a ajuda de tais dispositivos. Uma Grã-Bretanha mal preparada poderá ver o seu bluff desmascarado pela U.E.-27, estampando-se para fora (“crash out”) pelo Halloween. A escala dos danos económicos, de curto e de longo prazo, em ambos os lados do canal, é difícil de estimar. Mas certamente haverá alguns, assim como um azedamento das relações entre a Grã-Bretanha e os seus antigos parceiros. A alternativa de Johnson, de atrelar a Grã-Bretanha à carruagem selvaticamente descontrolada de Trump, parece ser uma aposta de alto risco. A evidência de que a persistência da incerteza do Brexit está afetando as decisões de investimento é impossível de ignorar. Nos três anos até o primeiro trimestre de 2019, o investimento estrangeiro direto aumentou 43% na E.U.-27 e caiu 30% no Reino Unido (30).

 

Pior ainda, Johnson tem uma história feia de racismo - às vezes casual, muitas vezes calculado. Enquanto que Farage teve o cuidado de não provocar racismo durante as eleições europeias, ele foi rápido em culpar os eleitores "paquistaneses" pelo sucesso do Partido Trabalhista na eleição de Peterborough, estando sempre bastante à vontade quando se trata de agitação anti-migrante. Embora a humilhação eleitoral de Tommy Robinson e seus aliados no UKIP tenha sido um verdadeiro sucesso para o movimento anti-racista, o efeito geral das eleições europeias será aumentar o clima já abafado de racismo na Grã-Bretanha, enquanto o novo líder conservador luta para recuperar o terreno perdido para Farage. E as eleições europeias também prejudicaram o Partido Trabalhista, forçando Jeremy Corbyn a ficar na defensiva perante os assaltos montados pela sua ala direita - embora Peterborough sugira que o Partido Trabalhista tenha sido menos prejudicado do que os Conservadores (na Inglaterra, de qualquer forma).

 

Assim, o Brexit continua a desestabilizar a política britânica, num contexto em que é a extrema-direita que está marcando a corrida. Isso significa que é vital continuar um movimento contra o racismo o mais amplo e forte que for possível. O Stand Up to Racism estabeleceu-se como a estrutura essencial para um tal movimento, mas enfrentará muitos testes a vir.

 

Neste contexto, os protestos climáticos, em suas diferentes formas, representam um raio de luz que brilha através das nuvens. Este novo movimento pode renovar uma esquerda gravemente prejudicada pelas divisões dos últimos anos, numa base anticapitalista mais robusta. Mais importante, pode começar a reunir as forças necessárias para travar a batalha do século. Dessa forma, a ação coletiva e, em última instância, revolucionária, pode vir a transformar o desespero em esperança (31).

 

 

 

 

 

(*) Alex Callinicos (n. 1950) é um teórico e ativista político britânico, nascido no Zimbabué. O seu pai foi um resistente grego à ocupação nazi, enquanto, pelo lado materno, a sua ilustre ascendência remonta diretamente ao célebre historiador novecentista Lord Acton. É atualmente professor de Estudos Europeus no King's College, em Londres, depois de ter sido professor de Ciência Política na Universidade de York. Militante trotskista desde os seus tempos de estudante no Balliol College, em Oxford, nos anos 1970, é membro do comité central do Socialist Workers Party (SWP) e seu secretário internacional, sendo também editor de International Socialism, a revista teórica deste partido. É autor de uma muito extensa bibliografia, de que destacaremos: Althusser's Marxism (London: Pluto Press, 1976), Is there a future for Marxism? (London: Macmillan, 1982), Marxism and Philosophy (Oxford: Clarendon, 1983), The revolutionary ideas of Karl Marx (London: Bookmarks, 1983), South Africa: the Road to Revolution (Toronto: International Socialists, 1985), Making History: Agency, Structure, and Change in Social Theory (Ithaca, N.Y.: Cornell University Press, 1988), Against Postmodernism: a Marxist Critique (Cambridge: Polity Press, 1991). Theories and Narratives (Cambridge: Polity Press, 1995), Equality (Cambridge: Polity Press, 2000), An Anti-Capitalist Manifesto (Cambridge: Polity Press, 2003), Imperialism and Global Political Economy (Cambridge, Polity, 2009) e Deciphering Capital: Marx's Capital and its destiny (London: Bookmarks, 2014). O presente ensaio foi publicado originalmente no nº 163 de International Socialism. A tradução é de Ângelo Novo.

 

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NOTAS:

 

(1) Pascal, 1995, pp123-124. Thanks to Joseph Choonara, Martin Empson, and Camilla Royle for their comments on this article in draft.

 

(2) Bendell, 2018, p. 6.

 

(3) Prigogine e Stengers, 1984.

 

(4) Bendell, 2018, p. 11.

 

(5) Bendell, 2018, pp. 12-13.

 

(6) Neale, 2019.

 

(7) Leiam-se as descrições poderosas contidas em Woodham-Smith, 1991, e Mukerjee, 2010, bem como o clássico estudo sobre as fomes em Sen, 1981.

 

(8) DiChristopher, 2019.

 

(9) Rainforest Action Network e outros, 2019.

 

(10) Olson e Lenzmann, 2016, pp. 9-10.

 

(11) Malm, 2016, p. 353. Malm argumenta que, desde os tempos do vapor, o capital tem contado com a maquinaria impulsionada pela energia fóssil para consolidar o seu domínio sobre o trabalho e gerir a relação de uma forma flexível. Assim, hoje em dia: "O capital globalmente móvel vai deslocar as fábricas para situações em que a força de trabalho é barata e disciplinada - onde a taxa de mais-valia promete ser maior - através de novas rondas de consumo massivo de energia fóssil...", na verdade, "parece haver uma lei de crescente composição fóssil do capital" - Malm, 2016, p. 333, 354. Embora o argumento de Malm seja uma generalização a partir de um estudo de caso muito poderoso - o triunfo do vapor durante a Primeira Revolução Industrial - ele parece menosprezar demasiado as contra-tendências discutidas no texto.

 

(12) Hook and Pickard, 2019.

 

(13) McGrath, 2018.

 

(14) Astrasheuskaya e Foy, 2019.

 

(15) Stratfor, 2018. A expansão da própria mineração de lítio tem um alto custo humano e ambiental.

 

(16) Sanderson, 2019.

 

(17) Para uma discussão exaustiva da geoeconomia e conceitos relacionados, leia-se Glassman, 2018, capítulo 1.

 

(18) Department of Defense, 2014, p. 4.

 

(19) Copp, 2017.

 

(20) Há uma discussão proveitosa destes assuntos em Neale, 2010.

 

(21) Pickard, 2019.

 

(22) Foster e Burkett, 2018, insistem corretamente na especificidade e na inter-relação entre valor e formas naturais no âmbito do capitalismo.

 

(23) Bendell, 2018, p. 20.

 

(24) Monbiot, 2019.

 

(25) Hallam, 2019. Num texto anterior, Hallam argumentou: "O debate abstrato entre reforma e revolução, entre estar 'fora do poder' e estar 'no poder' é transcendido por uma análise pragmática fundamentada dos máximos ganhos políticos realistas que podem ser obtidos em qualquer luta iterativa, com os recursos e mecanismos políticos que temos em mãos. Este cálculo está em curso numa série de iterações intermináveis - Hallam, 2015, p. 45. Mas agora ele parece projetar um processo de mudança muito mais acelerado, no qual os protestos em massa rapidamente forçam os governos a negociar.

 

(26) Chenoweth, 2017. A monografia detalhada que fundamenta esta afirmação não inclui nenhum dos exemplos aqui citados e, absurdamente, descreve a Revolução Iraniana de 1978-9 como um caso de "resistência não violenta", ignorando a insurreição organizada pela esquerda e pelos islamistas em Fevereiro de 1979 que finalmente quebrou o regime de Pahlavi - Chenoweth e Stephan, 2011. O livro é um caso clássico da dominante "política comparativa" norte-americana, em que a análise de dados estatísticos serve sistematicamente para eliminar os contextos históricos específicos que moldam as diferentes lutas políticas. O esplêndido trabalho de demolição da Alasdair MacIntyre sobre este método ainda se sustém - MacIntyre, 1971.

 

(27) Ahmed, 2019, capítulo 6; Mukerjee, 2010, capítulo 11.

 

(28) Para análises marxistas da luta na África do Sul, leia-se Wolpe, 1988, e Callinicos, 1988.

 

(29) Para mais sobre as perplexidades do Brexit, leia-se Callinicos, 2019a e 2019b. Leia-se também Pucciarelli, 2019, sobre a bem sucedida transformação, por Matteo Salvini, da Lega numa força dominante em Itália.

 

(30) Romei e Jackson, 2019.

 

(31) Leia-se a clara defesa da revolução anticapitalista apresentada em Empson (ed.), 2019.

 

 

 

Referências bibliográficas

 

Ahmed, Talat, 2019, Mohandas Gandhi: Experiments in Civil Disobedience (Pluto).

 

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Bendell, Jem, 2018, “Deep Adaptation: A Map for Navigating Climate Tragedy”, IFLAS Occasional Paper 2 (27 July).

 

Callinicos, Alex, 1988, South Africa: Between Reform and Revolution (Bookmarks).

 

Callinicos, Alex, 2019a, “Brexit Blues”, International Socialism 161 (winter).

 

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Chenoweth, Erica, 2017, “It May Only Take 3.5 Percent of the Population to Topple a Dictator - with Civil Resistance”, Guardian (1 February).

 

Chenoweth, Erica, e Maria J Stephan, 2011, Why Civil Resistance Works: The Strategic Logic of Nonviolent Conflict (Columbia University Press).

 

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DiChristopher, Tom, 2019, “US to Become a Net Energy Exporter in 2020 for First Time in Nearly 70 years, Energy Dept Says”, CNBC (24 January).

 

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Glassman, Jim, 2018, Drums of War, Drums of Development: The Formation of a Pacific Ruling Class and Industrial Transformation in East and Southeast Asia, 1945-1980 (Brill).

 

Hallam, Roger, 2015, “How to Win! Successful Procedures and Mechanisms for Radical Campaign Groups”.

 

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Woodham-Smith, Cecil, 1991 [1962], The Great Hunger: Ireland 1845-1849 (Penguin).